segunda-feira, 17 de maio de 2010

6- Paquera, por favor!

 
Acariciando o meu rosto, cheio de insinuações, “Não desconverse...”.
Virei meu rosto pra ver o restante dos meus colegas.
“Ah, eles fazem um casal perfeito. Olha a química entre eles. Acho que tem tudo a ver eles serem o casal principal.”, Ernani.
“É...”, Fernanda não parecia muito contente, apesar de concordar.

 
Ítalo me soltou de repente.
“Viu? Eu consigo tudo o que quero. Eu sou demais...”, Ítalo se gabava pra todos.
Dei um tapa na cabeça dele, “Me trata direito, seu bruto! Eu interpreto melhor do que você... Posso muito bem escolher o Ernani como par.”, fiz bico.

 
“Ué, escolhe então. Eu posso fazer par com outra... O que me diz, Fernanda?”.
Porque eu tinha que sentir ciúmes?
Antes que ele pegasse na mão da Fernanda eu me aproximei dele. Funcionou.
“Você fica uma gracinha fazendo charme, Ítalo... Para de bobeira e me diz como é esse casal.”.

 
Ele ficou vermelho quando o chamei de gracinha. Eu só não era completamente apaixonada por ele, porque tinha tomado cuidado desde o começo. Milagrosamente estava funcionando. Ele já tinha deixado claro vezes demais que não queria compromisso com ninguém. E estava sempre jogando charme em qualquer ser que usasse saia. Eu não queria competir com isso. E mais do que isso, eu gostava dele demais para querer complicar as coisas.

 
A presença da Fernanda me incomodava um pouco. Ela falava muito e tentava a todo custo chamar a atenção do Ítalo. A maioria das pessoas nem o achava tão bonito assim, por causa do super blush natural em seu rosto... Eu mesma a princípio tinha o achado nada atraente, mas, pelo visto, isso estava se tornando um hábito.
Foi uma tarde bem melhor do que julguei que seria.
“E então... Você se resolveu entre os seus primos? Parentes ou sei lá...”, Ítalo me perguntou, enquanto saíamos da sala.

 
“Ahm?”.
“Os rockeiros. Confundo os nomes.”, eu jurava que ele fazia isso de propósito.
“Mas o que têm eles?”.
Ele revirou os olhos e isso me irritou.
Fiz um barulho com a boca, “Não sou adivinha, desculpa por isso. Aff... Esbarro em cada ser mal educado nessa vida.”.

 
“Calma, gata... Eu pergunto de novo.”.
Ítalo parou de andar e fez gestos demais, pausas demais quando começou a falar. Como se eu fosse retardada e eu teria ficado muito irritada senão gostasse tanto de estar com ele.
“Você se decidiu entre os dois cabeludinhos? O loiro ou o moreno? Ou continua safadona pegando os dois?”.

 
O pior é que eu realmente gostava dessa sinceridade dele. Por mais que parecesse um pouco ofensivo eu sabia que a intenção dele era só chocar e não me ofender. E eu não tinha problemas em responder, como também não mentiria.
Fechei a cara, não podia deixá-lo pensando que podia me chamar desse jeito...
“Quando você virar gente, do tipo educado, me procura que respondo o que me perguntar... Mas até lá é melhor você guardar esse tipo de tratamento só pras suas amiguinhas que gostam.”, e retomei os passos.

 
Ele veio atrás de mim, parou na minha frente e segurou a minha mão.
“Desculpa, gata, não queria te ofender. Eu queria te dizer que não vou mais fazer isso, mas sou um idiota e vou acabar fazendo.”.
“Hum... Ao menos reconhece.”.

 
Ítalo soltou uma gargalhada e não consegui deixar de sorrir.
“Mas então... Você não respondeu a minha pergunta.”, imaginei o quanto ele estava curioso. Ele nunca havia me perguntado sobre esse tipo de coisa.
“Porque será...”, dei uma pequena pausa, “Mas também nem sei de que lugar você tirou uma pergunta dessa. Da banda eu só fiquei com o meu primo, mas a gente não tem nada pra resolver também.”, eu morria de vergonha de me expor daquele jeito, mas fazia de tudo para aparentar naturalidade e parecia funcionar.

 
“Vai me dizer que nunca ficou com aquele outro?”.
Ele falava do Vinícius?
“Que outro, Ítalo?”.
Novamente ele revirou os olhos. Eu o cegaria em uma próxima vez, “O que está sempre com você.”.
“O Jack?”, perguntei surpresa. Ele esperou, “Nossa... Nada a ver.”, pensei numa forma convincente de explicar, “Você ficaria com uma irmã sua?”.

 
“Ela é feia...”.
Arregalei os olhos e ele riu.
“Idiota...”.
“Claro que não ficaria. Vocês são irmãos?”
Perdi o meu melhor argumento e fiquei em silêncio pensando em algum outro.
“Tá, deixa... Já entendi. Se você diz que não, acredito em você.”.

domingo, 16 de maio de 2010

5- Amigos, por favor!

Não tinha percebido o tempo passar. O silêncio me incomodava, mas o que pensei ter sido quinze minutos foi na verdade bem mais... Soube quando os meus primos atravessaram a porta nada sutilmente.
“Ah, que vida boa... Vocês têm cinco minutos pra almoçarem e saírem conosco pro clube. Atrasar logo no primeiro dia de ensaio... Mereço!”, Talita não parecia irritada, mas se não a obedecêssemos, ela com certeza ficaria.
Ricardo estava com a mesma expressão de pouco caso da noite passada. Aquela cara me fazia querer socá-lo. Ele não era de guardar rancor, mas nesses últimos dias ele estava sendo insuportável e eu sequer sabia o que tinha feito.

 
Levantei apressada.
Aparência em primeiro lugar. Depois me preocupo com comida.
Eu nem fazia parte da banda, mas o que eu pudesse fazer por eles eu faria.
Eu nunca pegava uma roupa qualquer ou me arrumava de qualquer jeito. Essas palavras eram apenas modo de falar para mim, caso não estivesse muito satisfeita com o resultado.
Levei sete minutos para me arrumar, mas estava me sentindo horrível. Eu era vaidosa e sequer poderia esconder.

 
“Sally! Os cinco minutos já acabaram... Vamos logo, mulher! Não me faça te arrastar pelos cabelos.”, Talita gritou da porta principal.
Eu levava ao pé da letra as ameaças da minha prima. Não sei porquê eu acreditava que ela realmente me arrastaria pelos cabelos. Fechei a porta do meu quarto e fui até a apressadinha.

 
“Não sei o porquê de tanta pressa. O Rick ainda nem está aqui.”, disse quando não o vi por perto.
“Ele foi na frente.”, Talita disse naturalmente, mas seu olhar não me enganou.
Talita sabia de alguma coisa, eu podia apostar. O caminho até o prédio dos clubes não era tão perto assim, mas estávamos praticamente correndo por todo o caminho e eu não queria ter aquela conversa de qualquer jeito. Eu me controlaria até que fosse um momento melhor.

 
Cheguei e encontrei o Vinícius e o Caio que há tempos não via. Senti um alívio estranho... Tinha sentido saudade e só então percebi.
Eles abriram um sorriso tão grande que não me importei quando me chamaram de tampinha. Até o Ricardo parecia outro de tão feliz, mesmo que não fosse por minha presença.
“Bom ensaio, gente.”.

 
Depois que eles pegavam naqueles instrumentos pareciam entrar em transe. Apenas Talita que ainda estava ao meu lado sorriu agradecendo.
Só esperei uma música. Quando eu os via tão decididos e destemidos eu me sentia igualmente. Deixei a sala me sentindo forte o suficiente para enfrentar o que surgisse naquele dia.

 
Mas quando passei pela porta que tinha sido do clube ‘SOS Amor!’, senti novamente uma estranha saudade. Eu não fazia nada de importante no clube. Eu era mesmo apenas uma mascote, mas ainda assim... Tinha tido bons momentos naquela sala e estava sempre com as minhas amigas.
Caminhei até a sala de teatro já sem ânimo. A sensação de estar sendo deixada de lado estava me corroendo cada segundo mais. Eu queria sentar com elas naquele momento e dizer como me sentia. Falar que estava com ciúmes e que queria que tudo voltasse a ser como antes. Mas por diversas razões eu não faria isso.

 
Foi perdida em pensamentos que girei a maçaneta da porta da sala de teatro.
Atrapalhei uma conversa que estavam tendo. Senti meu coração acelerando. Já estava arrependida por ter entrado.
“Lily... Chegou na hora certa. Vem pra cá... Estamos decidindo quem interpretará quem.”, Fernanda disse sorrindo.
Acho que ela não fazia ideia do quanto suas palavras tinham me dado esperança. Talvez ali eu pudesse encontrar o que tanto procurava, mesmo que não soubesse exatamente o que era...

 
De alguma forma esse pensamento levou de volta o meu coração à sala da banda. Eu queria saber tocar algum instrumento ou cantar, assim poderia estar com eles o tempo todo.
“A Sally podia ser a Tereza.”, disse o Ítalo enquanto me envolvia com os braços.
“Só porque você é o Luiz? É pra fazer isso aqui direito, Ítalo. Não é uma brincadeira.”, Fernanda.

 
O restante ria.
“O que tem a Tereza?”.
“Ela é o par romântico do Luiz...”, Fernanda disse um pouco sentida. Podia jurar que ela tinha ciúmes.
Encarei o Ítalo, estreitando os olhos, mas com um sorriso no canto dos lábios, “Você não tem vergonha mesmo, eheim...”.

 
“Ah, vai me dizer que não quer ser meu par romântico?”, ele ria convencido. Eu odiava que ele fosse tão metido, mas como eu podia resistir quando ele me segurava pela cintura daquele jeito?
“Rá! Eu sei que você me ama, Ítalo. Não precisa negar.”.
Ele me virou, fazendo com que eu ficasse de frente para ele... Perto demais.

4- Música, por favor!


“Melhor limpar a baba, Ly.”, Yasmin.
Sorri de nervosa e um tanto envergonhada.
“Mas você está vendo o que eu estou vendo?”, tentei falar em um tom bem baixo.
“Desculpe, só tenho olhos pro meu Derick.”, ela disse resignada.

 
“Ah, tá!”, deixei escapar uma gargalhada, “Min, eu acho o meu priminho lindo e tudo, mas você quer mesmo compará-los?”, revirei os olhos, “O Derick é quase uma menina.”.
“Menina...”, insinuou e riu.

 
Meus olhos se arregalaram. Eu já ficava incomodada o suficiente com os passeios noturnos do casal.
Agora eu não precisava mais duvidar de que eles não ficavam apenas ‘admirando o céu estrelado’.
“Yasmin, lembra quando eu te falei que você podia morrer pelo caminho? Vou correndo na frente pra que isso não aconteça mesmo.”.
A cretina ainda ficou rindo.

 
Eu não corri literalmente, com medo de tropeçar e cair, mas apertei meus passos o suficiente para até mesmo passar do Raffael.
Agradeci a Deus por não encontrar ninguém em casa. Eu precisava encontrar alguma coisa para me acalmar antes que eu matasse alguém.
Joguei-me na cama do meu quarto e catei o controle do aparelho de som que estava no criado mudo. Deixei rodar o CD dos Hell’s Messengers... Com certeza um pouco de música melhoraria o meu humor.

 
Tranquei a porta do meu quarto antes de me despir para o banho. Deixei o volume do som bem alto e liguei a ducha.
Eu realmente comecei pensando sobre o Jack e as meninas... Tentando enxergar o meu erro ao invés do deles. Mas a visão do Raffael me beijando fez com que eu perdesse completamente o foco inicial.

 
Comecei a pensar no que poderia fazer para que isso acontecesse. Pessoalmente ele estava sempre fugindo de mim o que tornava impossível qualquer tentativa minha. E através da internet... Bem, seria possível se ele aparecesse.
Suspirei pesarosa.
Saí do banho disposta a tirar aquele corpo da minha mente. Apaixonar-me era a coisa mais fácil do mundo e era tudo o que eu não queria naquele momento. Nunca quis na verdade.

 
Coloquei um pijama e desliguei o som.
O computador já estava ligado e acessei o MSN. Havia um e-mail novo.
“Fico feliz que tenha gostado. Em breve ligo para você, filha. Um grande beijo!”
Fiquei surpresa com a rapidez que obtive resposta. Tinha mandado um e-mail de agradecimento pela casa ao meu pai na noite anterior.
Ele nem respondeu sobre como estava...

 
Passei os olhos na minha lista de contatos online. Vi que o Raffael não estava e fechei o MSN.
Já estava mais calma e destranquei a porta do quarto. Queria me desculpar com o Jack e fui até o seu quarto. Achava uma bobeira ter que bater na porta pra entrar, mesmo porque ninguém da minha família tinha o costume de fazer isso. Mas o Jack sempre batia e esperava pela permissão para entrar - inúmeras vezes tentei fazer com que ele parasse - achei que talvez fosse por ele querer o mesmo em troca, então...
“Pode entrar...”.

 
Sei lá que música tocava. Ele estava sentado na cama tocando uma guitarra invisível, mas parou e diminui o volume
“Ly...”.
“Me desculpe...”.

 
Franziu a testa sem compreender e eu me ajeitei ao lado dele na cama. Repousei a minha cabeça em ombro e fiquei mexendo na beirada de sua bermuda.
“Será que é uma coisa assim tão ruim assistir aula comigo, Jack?”.
“Você sabe que não... Por que está perguntando isso?”.

 
Torci a boca, “Vocês todos parecem bem com essa separação. É tão errado assim eu querer estar sempre com as pessoas que amo? Me sinto uma idiota quando vocês agem com tanta maturidade. É errado sentir e expressar? Me pergunto se vocês sentem mesmo... Talvez o problema seja mesmo só com a minha infantilidade então.”, desabafei e me ajeitei ao seu lado, procurando sua expressão.

 
Sua testa estava franzida, mas carregava um leve sorriso. Ele repousou uma das mãos do lado do meu rosto... Escondi meu rosto no seu ombro. Não era justo que ele fizesse com que eu me sentisse tão frágil e confortável com isso como ele sempre fazia.

 
Eu podia aguentar que todas as pessoas estivessem sempre me deixando, desde que o Jack fosse uma exceção. Não entendia bem o porquê, mas sempre que pensava nele me deixando doía mais do que quando pensava nos outros...
Ele não disse mais nenhuma palavra, apenas permaneceu lá, disposto a me ouvir.
Mas eu também não disse mais nada.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

3- Droga de aula!


“Tê, eu estou bem... Só que não estava mesmo com vontade de assistir essas aulas. Estou no ginásio. Mas acho que vou pra casa agora...”.
“Não, espera que eu estou indo pra aí. Vamos juntos. Não sai daí. Chego num segundo.”, desligou.
Deixei o Jack preocupado. Ótimo! Fiquei irritada comigo por isso. Não queria que ele matasse aula também. Mas não podia negar que estava agradecida por não ficar mais sozinha.


Jack chegou mesmo rapidamente, cinco minutos contados. E me achou antes que eu o visse.
“Você está mesmo bem?”, ele perguntou e procurou com os olhos conferir.
“Jack, eu disse que estou bem.”, disse sem humor.
“Então vamos.”, estendeu a mão me ajudando a levantar.

Estava tão enganosamente feliz acreditando que ele fosse mesmo comigo para casa que só percebi o seu plano tarde demais.
“Jack, seu idiota!”, dei um tapa de leve em seu ombro, “Desde quando o colégio é a nossa casa?”.
Ele ria.

“Sim, muito engraçado.”, torci a boca ao dizer.
“Ah, Ly... Se você não assistir nem ao primeiro dia de aula, imagina o resto. Como vou me concentrar nas aulas preocupado com você?”.
Que injusto ele falando daquele jeito. Ele sabia que aquilo me desarmaria.

“Droga, Jack... Como te odeio. Mas só vou com uma condição.”.
“Qual?”.
“Você vai assistir comigo e nem pense em negar...”.
“Tá bom.”.

Segurou a minha mão e caminhou comigo até a sala, estranhei a facilidade com que ele tinha atendido ao meu pedido. Para me assegurar de que ele não me largaria dentro da sala e iria embora, segurei com muita força a sua mão.
“Acho que alguém quer fazer o dever pra mim e talvez até tocar na banda hoje...”, ele disse baixinho no meu ouvido, reclamando da força que eu estava usando.

“Se você me deixar aqui sozinha...”, ameacei e soltei a sua mão.
Ele massageou a mão. Eu quis reclamar pelo drama, mas a mão dele estava mesmo vermelha.
“Desculpa...”.

Jack me deu um sorriso com o canto da boca e abriu a porta. Eu esperei que ele desse o primeiro passo. Ele realmente entrou comigo, passando por todo aquele constrangimento de pedir licença ao professor e olhos curiosos. Mas o problema ficou com a quantidade de espaço livre... Apenas uma carteira vaga. Só podia ser brincadeira...

Jack passou uma das mãos nas minhas costas e saiu da sala. Eu quis matá-lo.
Sequer tentei esconder a minha irritação do restante da turma. Bufei e sentei-me de qualquer jeito.
“Posso continuar, Sally?”, o professor Apolo tentou me fazer vergonha.

“Claro.”, consegui ser educada, apesar de estar com vontade de matar qualquer um que cruzasse o meu caminho.
Só de birra com o Jack não dei a menor atenção para aula.
E daí que ele não tinha culpa por só ter um lugar vago na turma!

Assim que terminou a aula eu saí apressada, grata por ter sido a única e última do dia que eu tinha assistido. Não queria ir para casa com o Jack.
Meu pai tinha me dado como presente de aniversário atrasado uma casa em Almerim. Jack e meus primos moravam comigo. Ficava perto da casa da Yasmin.
“Ei, Ly, me espera aí!”, Yasmin gritou atrás de mim.

Parei sem olhar para trás, esperando-a.
“Nossa, pra que tanta pressa? Está quase voando...”, ela disse quando me alcançou.
“Estou com raiva do Jack e nem me pergunte porquê. Já vai passar, mas não quero ir com ele pra casa hoje.”.
“Eita.”, ela limitou-se a dizer.

“Mas então... Ainda sabe escrever?”, tentei mudar de assunto.
“Ah, nem me fale. Todo mundo estava desanimado com isso hoje, inclusive os professores. Atrasa as aulas. Estou pensando em fazer um abaixo assinado.”.
“Ui! Te dou todo o apoio, amiga! Mesmo porque, nem acho que os gastos fiquem tão elevados assim. A ideia principal não é o nosso estudo estar sempre melhorando? O mínimo de tecnologia é o que podemos esperar já que é pra gente ficar socado naquela escola praticamente o dia todo! Queria saber quais foram os seres que reclamaram dos gastos... Idiotas d’uma figa!”.

“Não mereço. De um lado a Mariana e do outro você com esse mau-humor... Só espero que eu não fique contaminada também.”, Yasmin.
“Melhor se preocupar em não ser assassinada pelo caminho...”, brinquei.
Rimos.

Não sei se ele esteve ali durante todo o caminho, mas somente naquele momento o vi. Minha visão ficou presa nas costas daquele rapaz alto e magro apesar de ter músculos definidos. Eu podia apostar que eu estava com a boca aberta.
Nunca soube o que tinha de especial naquele físico, nem na forma como ele andava e se vestia. Porque ele tinha tudo para nunca me deixar interessada. Tudo que eu via com maus olhos. Mas lógica nunca fez parte da minha vida.

Eu me assustei com aquela nova sensação. E me assustei ainda mais quando meus olhos reconheceram o dono daquele corpo de pele escura... Raffael, o mesmo rapaz que eu tinha dispensado no ano anterior por não ter me sentido nem um pouco atraída. Ele não falava mais comigo e agora eu queria muito poder falar com ele novamente.